100 anos nikon

Nikon Completa 100 anos.

Com Incertezas no Futuro

Ícone no setor de fotografia, a empresa japonesa se torna centenária em julho de 2017 tendo pela frente desafios no presente para se manter forte no mercado.

A atual sensação dos fãs e usuários da Nikon e certamente dos executivos da empresa é um misto entre celebração, indecisão e expectativa. Prestes a completar 100 anos de existência, marcados pela qualidade de seus produtos, especialmente a óptica, a Nikon enfrenta desafios estratégicos que podem definir seu futuro e sua relevância no segmento de fotografia – a marca, é bom lembrar, também vende produtos para áreas industriais, médicas e de pesquisa. A Nikon começou o ano de seu centenário com o anúncio dos resultados financeiros de 2016, quando registrou “perdas extraordinárias” na ordem de US$ 260 milhões. Embora acompanhe a redução global nas vendas de câmeras fotográficas, estimada em 30% ao ano, parte desse prejuízo é atribuída ao corte de cerca de mil funcionários só no Japão, ação associada a um programa de demissão e aposentadorias voluntarias.

O impacto financeiro gerou uma redução das ações em alguns países (inclusive no Brasil) e motivou o cancelamento da linha de câmeras compactas premium, a Nikon DL, que havia sido anunciada com grande interesse há um ano e sequer chegou ao mercado. Esse panorama negativo pegou carona nos frequentes rumores da indústria, como o de uma eventual compra da Nikon pela Canon ou pela Sony. O boato mais recente é um pedido que o governo japonês teria feito em junho à Fujifilm, outra empresa japonesa, para que investisse em ações da Nikon a fim de ajudar a conterrânea e evitar o assédio de investidores estrangeiros frente às dificuldades financeiras da companhia. Todo esse movimento é parte de um esforço declarado da pró- pria Nikon de se reestruturar para manter a capacidade de gerar lucro e ser uma empresa competitiva, principalmente no segmento fotográfico – o grande responsável por seus prejuízos financeiros. O fato é que, além da saúde fiscal, a Nikon precisa atentar para o produto em si, reavaliar estratégias e, talvez, se reinventar.

 

Produtos Nikon

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Os lançamentos mais recentes da Nikon seguem a receita do que ela aprendeu a fazr durante os últimos 100 anos: boas lentes. No final de maio, a empresa anunciou três novas objetivas da faixa grande angular de encaixe F: a AF-S8-15MM F/3.5-4.5E ED, a primeira olho de peixe zoom projetada para câmeras full frame;a AF-S28MM f/1.4E ED, fixa atualizada com sistema de abertura eletromagnética da serie E; e a AF-S DX 10-20 mm f/4.5-5.6G VR, projetada para sensores  DX (APS-C) e até então inédita no portifolio da marca. Exceto pelo modelo DX, que tem um valor bastante acessível de US$ 310, os preços não fogem muito do esperado: a 8-15mm custa US$ 1.250 e a fixa 28mm sai por US$ 2.000(preços no exterior).

Ainda que bem vindos, esses lançamentos não resolvem os desafios da empresa para se manter forte no mercado de fotografia atual sequer mostram qual rumo a empresa quer seguir. Durante feita Photokina 2016, principal encontro dessa indústria ,a Nikon não apresentou novidade alguma para o segmento de câmeras profissionais, limitando os esforços em apenas três novas câmeras de ação da serie KeyMisson- o que pode, na realidade, ser um sinal de estagnação. A  câmera mais recente do portfolio da Nikon, a D7500, também não trouxe novidade, revelando ser uma simplificação da D500 – e que não agradou muito aos fãs da marca. E se o objetivo da empresa é aumentar as vendas, algo indispensável é agradar aos consumidores.

Nesse sentido, Fotografe avaliou dez recursos que atualmente são relevantes para a decisão de compra de uma câmera fotográfica e que a Nikon precisa aprimorar logo. São aspectos trabalhados com sucesso por outros fabricantes e aos quais a empresa parece não dar a devida atenção.

 

Fonte: Revista Fotografe Melhor – ANO 21 – Edição Especial 250