Infravermelho: Filtros como escolher?

foto 590nm

Uma vez decidida a escolha pela fotografia em IR (InfraRed ou Infravermelho) a segunda escolha mais importante é o filto a ser utilizado.

Como se sabe, o sensor das máquinas modernas registra uma quantidade muito maior de infravermelho do que propriamente o chamado “espectro visível”, em outras palavras, a luz que nós podemos ver.

Ao escolher um filtro, como o próprio nome diz,estamos optando por “deixar passar” uma determinada faixa do espectro luminoso.
Para todos falarmos a mesma lingua, aqui está o espectro luminoso:

escala ir
Ele compreende todas as frequências que podemos captar com nossos olhos e uma parte muito maior que não podemos. São as “beiradas” dessa faixa colorida. Os seres humanos conseguem enxergar os comprimentos de onda do violeta (400nm – chama-se nanômetro, que é o bilionésimo do metro) até o vermelho bem escuro (cerca de 720nm).
Voltando… Quando escolhemos um filtro, colocamos na frente do nosso sensor um anteparo seletivo, que irá deixar passar apenas uma porção das frequências (“cores”) do espectro visível.

Na dúvida de hoje, fizemos uma experiência usando dois filtros diferentes, um Schott 590, que como o próprio nome diz conduz (“deixa passar”) apenas as ondas com 590 ou mais nanômetros.
Em uma forma gráfica, podemos demonstrar que a nossa câmera será capaz de “enxergar” apenas o seguinte:

ir
Dessa forma, o azul, o verde e até uma parte do amarelo deixam de existir para a câmera e a nossa foto passa a registrar somente do amarelo em diante.

Cabe lembrar que estamos falando de câmeras que passaram por um processo de “abertura dos olhos”, ou seja, foi “cirurgicamente” removido o filtro que as acompanha quando saem da fábrica. Esse filtro existe para assegurar que as fotos serão gravadas da forma mais próxima que os humanos percebem o mundo, portanto, o tal filtro, denominado “hot mirror” remove tudo o que está fora do espectro visível. Dessa forma:

aspctro IR

Para a maioria das pessoas isso é desejável e necessário, pois têm na fotografia algo documental, realista, concreto.
Contudo, espíritos mais curiosos não se conformam com a limitação imposta pelo corpo e muito menos pelo fabricante. Dessa forma, com a imprescindível ajuda de especialistas, a câmera é aberta, o hot mirror retirado e… pronto, começa a confusão.
Vocês lembram quando eu citei que o sensor é muito mais sensivel ao infravermelho do que a parte visível do espectro. Pois é: Isso é o que acontece quando se faz uma foto com uma câmera recém convertida e não calibrada ou filtrada:

infravermelho
Descontada a qualidade da foto, da para perceber claramente que a imagem contém um tom avermelhado intenso, chegando a comprometer a definicção das linhas. O próprio céu adquire um tom diferente, mostrando-se “estranho” a quem vê.

O esperado, para uma câmera normal, seria algo assim:

fotos filtros ir

 
Percebe-se que os brancos estão realmente “brancos”, os azuis ganham destaque e tudo entra na normalidade.
Entretanto, normalidade não é nossa praia, portanto, vamos entender o que aconteceu com a foto anterior.

Sendo a câmera um instrumento preparado para ver o mundo como nós, tudo aquilo que não vemos, para ela, também é um segredo. Quando a luz infravermelha atinge o sensor, ele deve decidir qual das cores irá acender. Já que chegou algo luminoso, como um bom japonês, ele deve tomar uma decisão rápida. A maioria das câmeras “arredonda” o infravermelho (que é invisível!!! lembra?) para o vermelho e faz da imagem aquela coisa estranha que vemos.

Então como fazer para lidar com essa ocorrência e ainda assim fazer fotos interessantes?

Primeiro passo: Vamos adicionar um filtro. O filtro de preferência para a fotografia infravermelha é o famoso 720 (Schott, Hoya, etc), que corta quase toda a luz visível deixando passar apenas o infravermelho. Decorrência: Com um filtro desses na frente da lente deixa-se de enxergar o mundo pelo viewfinder (buraquinho onde a gente olha). A solução para esse problema pode ser o uso do live view, que é a capacidade presente na maioria das câmeras modernas de mostrar uma aproximação do que o sensor está captando. Com os devidos parâmetros ajustados (abertura, ISO, velocidade) a máquina faz uma simulação que permite o foco e principalmente, o enquadramento.

Segundo passo: Vamos CALIBRAR a câmera, da mesma maneira que fazemos quando queremos “ajustar o branco”. Como a cor branca deixa de ter sentido, vamos escolher aquela que fica no centro do espectro e irá permitir que os tons “infravermelhos” sejam encaixados, desta vez definitiva e racionalmente, como vermelhos…
Qual é essa cor? Olhem o espectro mais uma vez:

postagem ir

Quem lembrou do verde acertou. Sim, o verde é nossa cor básica, para a vida, é o nosso parâmetro de luz durante o dia.
Muito bem! Pegamos nossa câmera já acoplada ao filtro, selecionamos o modo de “Auto Ajuste de Branco” (AWB) e fotografamos uma área de grama bem verde (pouco mais clara que o verde da Bandeira).
Uma vez de posse dessa foto, faça com que seu equipamento a use como parâmetro de branco. Não vou entrar na discussão de como proceder pois existe grande diferença entre as câmeras.
Basicamente, após selecionar a foto, deve-se escolher o modo de branco cujo símbolo é parecido com esse:

simbolo branco

Feito isso, sua câmera já consegue representar imagens surreais, lembrando sempre que você não passa a enxergar o infravermelho, apenas tem uma representação do seu reflexo nas áreas mais claras da foto. Perceba especialmente que a vegetação tende a ser mais destacada, pois reflete o IR que, basicamente, é uma onda que, quando nos atinge, excita as terminações nervosas fazendo com que sintamos calor. Por esse motivo, é sempre menos quente sob uma árvore.

Aqui está uma foto feita a partir de um filtro Hoya 720, usando uma Canon 5D Mark II, lente Nikon série E 28mm. Novamente, a foto não é uma obra de arte.

IR720nm

 

Não fiz a foto colorida original, mas as plantas são brancas em sua maioria, o elefantinho é rosa e as maças, bem, vermelhas e verdes, certo? Está não é uma boa lente para esse tipo de trabalho mas apresenta pouca diferença entre o foco que se vê o aquele que o sensor percebe. Em geral, lentes grande angulares não são grande coisa para fotografia IR (já sei ahhhhhhh, que pena). Para tudo tem jeito, para isso existem os panoramas, certo? É uma boa aproximação e sem a aberração lateral.

No entanto, o titulo do artigo é a escolha do filtro. Há um filtro certo para fotografia IR? Se eu usar um filtro que permita mais frequências, como o 590 por exemplo, terei muita diferença. Bom… depende!
O objetivo por aqui é fazer fotografia IR e não “false color” ( cores falsas – matéria para outro artigo ).
A seguinte foto foi feita usando um filtro 590, porém a câmera foi recalibrada. Como o eu desloquei o espectro visivel mais para a esquerda, permitindo a entrada do vermelho, laranja e até um pouquinho do amarelo, o tom de verde não pode ser o mesmo. O verde que escolhi foi algo entre um abacate e grama amarelada (seca), ou seja, um verde mais amarelo.
O resultado foi o seguinte:

imagem ir

A diferença, ao meu ver, sem qualquer tipo de tratamento, é muito pequena, pois estamos falando em IR e não em false color.
Outras imagens que foram feitas :

Filtro 720:

foto com 720nm

Filtro 590:

foto-590nm.jpg

Neste caso, por se tratar de luz natural em maior quantidade e uma diversidade de tons bem maior, o filtro 590 mostra as mesmas cores, só que com nuances mais acentuados. Mas nada que um pequeno ajuste no seu software de edição preferido não ajude:
Poderia ter deixado as duas fotos praticamente iguais, questão de gosto, tempo e recurso de software.

Bom , vamos ficando por aqui. Duvidas, sugestões, cursos, treinamentos “in loco”, acompanhamento na sua aventura pelas Ilhas Maldivas, favor contactar:
Adelson Corigliano
corigliano.adelson@gmail.com
11 – 98719-2222 (Sim, também é WhatsApp)